MEC corta verba do Processo Seletivo do IFSP

A comunidade acadêmica do IFSP no ínicio de outubro recebeu com espanto a notícia de que o processo seletivo para o ingresso no 1º semestre de 2018 seria por análise de histórico escolar. Essa decisão foi tomada pela reitoria do IFSP, sem consulta ampla à estudantes, professores e técnicos-administrativos, com o argumento de faltar verba para a contratação de empresa para a realização da prova.

O governo federal tem dinheiro, porém o que lhe falta é priorizar a educação e usar esse dinheiro para investir nas áreas sociais. Sabe-se que não há processo seletivo justo, porém mais injusto ainda é meses antes esse processo ser mudado de forma autoritária e sem discussão.

Os estudantes do IFSP construiram um manifesto para mostrar seu posicionamento e cobrar que o MEC (Ministério da Educação) cumpra seu dever. Leia o manifesto na íntegra:

MANIFESTO DOS ESTUDANTES DO IFSP CONTRA O PROCESSO SELETIVO POR ANÁLISE DE HISTÓRICO ESCOLAR

No início do mês de outubro, a reitoria do IFSP divulgou no seu site oficial que o processo seletivo para ingresso nos cursos técnicos do 1º semestre de 2018 será feito por meio de análise de currículo escolar. Esta mudança no processo seletivo é justificada pela falta de verba para contratar uma empresa que aplique a prova.
A comunidade do IFSP (estudantes, professores e técnico-administrativos) recebeu com espanto essa decisão, pois não foi consultada de forma ampla sobre esse importante processo de entrada de novos estudantes.

Livre acesso à educação de qualidade
Primeiramente, defendemos educação de qualidade para todos e todas. Se hoje é necessário fazer uma seleção para que alguns tenham acesso aos Institutos Federais, excluindo tantos outros desse espaço, é por que não existem escolas públicas com o mesmo nível educacional que o IF para todos os que precisam. Isso acontece pois, enquanto os governos federais há anos usam quase 50% do Orçamento Geral da União para pagar juros e amortizações da dívida pública, destinam menos de 4% para a educação, enquanto o Plano Nacional de Educação prevê o investimento de 7% do PIB neste ano. Isso sem contar toda a verba desviada pelas diversas quadrilhas no poder e que têm seus esquemas revelados a cada semana.
Devemos lutar pela existência de escolas públicas de qualidade para todos, possibilitando que todos os jovens tenham livre acesso à educação de qualidade, sendo assim desnecessária a realização de processos seletivos excludentes.

Por que somos contra a análise de currículo
Já que ainda não temos livre acesso à educação, é necessário escolher um processo seletivo. Essa escolha não é fácil e é necessário muito tempo de debate coletivo, pois TODOS OS PROCESSOS SELETIVOS SÃO INJUSTOS DE ALGUMA FORMA, pois não há justiça em impedir o acesso de um jovem à educação.
A prova cobra conhecimento dos estudantes, mas é injusta pois desconsidera que os candidatos partem de diferentes realidades educacionais para a realização da mesma prova, como a diferença entre quem fez cursinho e quem não fez, por exemplo.
A análise de histórico escolar é injusta pois, além de dar grande margem à falsificação, não considera a defasagem educacional entre as escolas, só avalia o conhecimento em duas matérias, e não dá aos candidatos possibilidade de agir para a mudança do resultado.
Por ser tão complexa essa decisão, foi errada a atitude da Reitoria de mudar de forma arbitrária o processo seletivo, sem envolver a comunidade na decisão.

Mudaram as regras no final do jogo
Porém, mais injusto ainda é preparar-se durante um ano inteiro para um processo seletivo e no final do ano descobrir que será outro. Vários estudantes que pretendem se candidatar para o ingresso no Instituto Federal de São Paulo se prepararam durante este ano, , reservando
horas de estudos, dedicando recursos financeiros e psicológicos, pedindo apoio de amigos e professores. É uma enorme injustiça com esses estudantes mudar o processo seletivo no segundo semestre do ano.
Não podemos aceitar que isso fique dessa maneira e que um processo que já seria injusto fique ainda pior.

Mas então o que fazer?
Todo esse problema está acontecendo, pois, o IFSP não recebeu do Ministério da Educação (MEC) a verba destinada para a realização da prova. Isso é uma consequência da PEC 55, que está limitando os investimentos com a educação, e de outras medidas do governo federal, como a não devolução ao IFSP da verba arrecadada nas inscrições dos antigos vestibulares.
Portanto, defendemos:
1. Exigir do MEC a liberação de verba para que o IFSP possa contratar uma empresa que faça a prova para o ingresso no 1º semestre de 2018;
2. Exigir dos órgãos deliberativos do IFSP (Reitoria e Conselho Superior) a criação imediata de uma comissão deliberativa, composta de estudantes, professores e técnico-administrativos, para discutir e formular os próximos processos seletivos.

Só venceremos com luta!
Precisamos informar a comunidade sobre o que está acontecendo e mobilizar para a defesa imediata dessas duas reivindicações e uma educação pública e de qualidade com acesso a todos. Organizando debates, atos, abaixo-assinados e outras formas de mobilização ganharemos força para pressionar o MEC.
O governo tem dinheiro, só não tem compromisso com um dos mais básicos direitos humanos, a educação. Só com a pressão da comunidade unida faremos com que a prioridade do governo seja a educação e não o pagamento de juros a banqueiros.
Nada é impossível de mudar se estivermos unidos!

Assinam este manifesto:

FENET – Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico
Grêmio Livre Estudantil Charlie Chaplin – Campus São Paulo
Grêmio Nelson Mandela – Campus Hortolândia
Grêmio Estudantil – Campus Pirituba
Grêmio Mario de Andrade – Campus São Roque
Grêmio Chico Mendes – Campus Cubatão
Grêmio Nada a Temer – Campus Avaré
Grêmio Alexandre Tamião – Campus Sertãozinho
Grêmio Ítalo Ragassi – Campus Barretos

Guilherme David

Fundador do OrgulhoFederal e da exempl.io. Formado no IFSP - Campus Cubatão em 2018, Guilherme tem a missão de promover uma educação holística no Brasil.

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